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Giro Cultural de junho traz peça infantil “O Patinho Feio” que aborda temas como “Bulling” e “Rejeição Social” na Sala de Cultura Leila Diniz

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A Sala de Cultura Leila Diniz abriu o  espaço cultural ao lado da Nova Imprensa Oficial (IOERJ) para mais um evento do Giro Cultural. Neste último sábado 12/06, às 12h, a Cia Infocus de Teatro trouxe mais uma peça para a diversão do público adulto e infantil. A fábula infantil “O Patinho Feio” é um conto de fadas escrito pelo dinamarquês Hans Christian Andersen, e nesta peça, o texto foi adaptado para o teatro lúdico para diversão da criançada. O Giro é um evento que acontece mensalmente, geralmente aos sábados, e conta com o apoio da Imprensa Oficial sobre a diretoria de Haroldo Zager; A Livraria Ideal, de Carlos Mônaco; e a Fundação de Artes de Niterói (FAN).

  • O Patinho Feio –

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O Patinho Feio é um conto de fadas escrito pelo dinamarquês Hans Christian Andersen, e foi publicado pela primeira vez em 11 de novembro de 1843. Andersen era filho de um sapateiro, o que o levou a ter dificuldades para se educar. No entanto, seus ensaios poéticos e o conto “Criança Moribunda” garantiram-lhe um lugar no Instituto de Copenhague. Escreveu peças de teatro, canções patrióticas, contos, estórias, e, principalmente, contos de fadas, pelos quais é mundialmente conhecido. E um desses contos é o “O Patinho Feio” que já foi adaptado para muitos livros infantis, e para o cinema com o desenho da Walt Disney.  O conto infantil “O Patinho Feio“, considerado uma fábula, trata da estória de um filhote de cisne que foi chocado por uma pata.  E sem saber de sua verdadeira identidade, o pato passa a ser hostilizado pela família e por outras aves. Somente após muitas humilhações, ele decide ir embora e durante essa jornada rumo à descoberta de sua identidade é muito humilhado e mal recebido por todos. Um dia, sobre um inverno, ele vai nadar no lago, e lá encontra um bando de cisnes, ao ser reconhecido o mais belo de todos pelos cisnes e pela mãe dos cisnes, segue sua vida feliz.

  • O conto “O Patinho Feio” segundo a Psicologia

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Segundo a psicóloga Helen R. Mourão,  que é analista Junguiana e especialista em Mitologia e Contos de Fadas, formada na (FASCIS) de São Paulo, com palestras  em São Paulo e Rio de Janeiro. O conto “O Patinho Feio”  fala do problema de ser diferente, e de todo aquele que é diferente entre o bando, sendo assim, sofre o chamado “Bulling” e isolamento social entre outros. Helen discursa sobre o filme da Disney e sobre as teorias de Carl Gustav Jung, um psicólogo Suíço da escola Junguiana.

“Na animação da Disney vemos claramente a angustia de uma criança mediante a separação dos pais. É extremamente comum a criança tomar para si a culpa pela separação. Assim como na animação, já vi em alguns casos clínicos a mãe literalmente culpar a criança pelos infortúnios, pela sobrecarga de responsabilidade e por ter que sustentar a casa sozinha, após a separação. Isso gera uma alienação semelhante a do Patinho Feio. Mas mesmo que não ocorra a separação em um nível mais sutil e simbólico o Patinho Feio age, em maior ou menor grau, na experiência de toda mãe e filho. Na infância esse sentimento é muito comum, no entanto, se esse sentimento de eterna vitima, persiste na vida adulta, mostra um ego imaturo e que ainda é vitima de humores e emoções instintivas e primitivas. A estória do Patinho Feio também nos fala do problema de ser diferente. Todo aquele que é diferente e que se destaca do “bando” acaba sofrendo bullying, assim como o Patinho. No entanto, apesar de termos um substrato comum, que Carl G. Jung denominou inconsciente coletivo, somos seres distintos um dos outros. Apesar de todos termos um nariz, dois olhos e uma boca, não existe um rosto igual ao outro. E é essa diferença que nos impulsiona para o processo de individuação. E conforme Carl G. Jung, a busca da individualidade (que é o tema do conto), é uma tendência ou sentido de desenvolvimento, que se separa de uma dada coletividade. E esse desenvolvimento da personalidade é simultaneamente um desenvolvimento da sociedade. A repressão da individualidade pela predominancia de ideias de organizações coletivas significa a decadencia moral da sociedade. Então o conto mostra, em um nível simbólico, não só o desenvolvimento da individualidade individual do Patinho, mas também de uma família e uma sociedade. Ao final do conto, o Patinho se descobre um belo cisne e encontra o seu grupo e uma mãe e irmãos que o aceita. Ele não só descobriu seus dons bem como passou a ser aceito. Ele encontrou seus semelhantes. Na verdade, ele transformou o seu entorno e a sua família. Por isso, a descoberta de sua individualidade, também mobiliza os outros nessa descoberta. No entanto, podemos sentir e conhecer, com o Patinho Feio o caminho para a solução da angustia. Ele mostra que nada se pode fazer sem um esforço, e que não se pode progredir sem passar pela noite escura da alma e sem encarar seus medos. Só assim é possível encontrar nosso valor interno e renascer.”

  • O Bulling: (“feio, feio, feio, é O Patinho”)
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A Raposa (Júnior Bertolli) negociando com o Patinho Feio (Vinícius Coelho).

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Vinícius Coelho interpreta “O Patinho Feio” e Júnior Berlolli “A Raposa esperta”.

Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angustia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.

No caso da peça infantil “O Patinho Feio“, com texto adaptado por Cézar Cavalcanti, o Bulling foi um tema recorrente na peça infantil. O ator Vinícius Coelho  fala  a respeito de como é encenar o tema e aponta a importancia do conto para o público infantil pois debate assuntos que ainda hoje são vivenciados por qualquer um de nós na sociedade e na família, temas como “rejeição social” e diferenças em relação ao “eu” social.

“O patinho se sente muito rejeitado e humilhado por conta de não ser igual aos irmãos dele. Os irmãos o desprezam, e ele fica triste, e isolado. Com isso, ele vai em busca dessa família que se parece com ele.E nessa busca, sofre discriminação e Bulling. Por isso, esse conto é comparável a uma criança na escola que sofre Bulling e discriminação. E o patinho fica igual a essas crianças. Ele quer ser igual a todos, como as, às vezes querem ser iguais as outras crianças. Ele tenta uma mãe, outra, e por fim um pai. Na peça, ele encontra a raposa que é esperta. E ela usa o Bulling para conseguir as coisas. No fim, tudo fica bem quando sabemos que todo mundo é especial e as diferenças é que faz com que cada um seja tão especial para a família quanto para nossos amigos. No final da peça, ele encontra a mãe e os irmão que são iguais a ele. E tudo isso é como se fosse uma lição para o patinho. Ele entendeu que ser diferente é bom.” explica o ator e bancário, Vinícius Coelho que interpretou na peça  da  Cia Infocus de Teatro O Patinho Feio e rejeitado.

  • Cézar Cavalcanti – Diretor da Cia de Teatro Infocus
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César Cavalcanti e sua equipe da Cia de Teatro Infocus.

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  • Cézar Cavalcanti – Diretor da Cia de Teatro Infocus

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( “feio, feio, feio, é O Patinho”), o “Bulling” pode trazer sérias consequencias às crianças e aos adolescentes, é o que se nota na fábula de Hans Christian Andersen.  E é com essa proposta de um teatro que envolve o público infantil no intuito de esclarecer e diminuir as causas do Bulling. Por isso, a Cia Infocus de Teatro, tem apostado nesta questão para debater no palco. Cézar Cavalcanti, professor de geografia, ator e diretor de teatro por 44 anos, diz que o “Bulling” é um tendência na sociedade e que tende a diminuir com o tempo através de boas propostas na educação.

“Esse Clássico “O Patinho Feio” é muito importante para os dias atuais devido ao Bulling que é um assunto recorrente a educação escolar. Devemos respeitar as pessoas e as diferenças. Precisamos  ter a consciencia das diferenças para não discriminar ninguém, e viver em paz e feliz. E precisamos passar para as crianças que todo mundo tem seu modo de vida, seus costumes são diferentes, e as diferenças existem no no mundo inteiro, ou seja, tanto o branco, quanto o negro e o pardo, asiático são diferentes. E na família precisamos nos adaptar as diferenças, e isso eu coloco nos textos que adapto na peça. E a vida segue, pois o importante é vivermos em comunidade e em paz.  Sobretudo, para a criança é muito cedo entender as diferenças, mas os mais maduros já notaram. E com o tempo vamos todos aprendendo com a ajuda dos pais. Por fim, isso é um somatório para as crianças serem cidadãos plenos. Todavia, na sociedade ainda existe o preconceito, e com o tempo, a sociedade mudará, já que o preconceito é muito difícil de acabar. E existe preconceito racial, religioso, sexual, porém é ainda muito difícil de extingui-lo. O nosso papel como artista é bater nesta tecla até diminuir, só assim é que a harmonia vai prevalecer.”

  • A Beleza e a Feiura na Contemporaneidade

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De acordo com a Psicóloga Clarissa D. Barros da UFBP, em Revista de Estudos Culturais e da Contemporaneidade – N.° 9 – Maio/Junho – 2013, os conceitos de belo e de feio são relativos aos vários períodos históricos ou às várias culturas. As atribuições de beleza ou de feiura eram devidas não a critérios puramente estéticos, mas a critérios políticos, morais e sociais.

“Os conceitos de belo e feio são definidos a partir dos períodos históricos e das culturas. As atribuições de beleza ou de feiura, voltadas aos critérios estéticos, estão intrinsecamente ligadas aos aspectos políticos, morais e sociais. O feio, estranho e deformado exercia uma atração do olhar do outro, no começo do século XIX. O cuidado com a aparencia tem se tornado exacerbado na contemporaneidade e promovido concepções de beleza apoiada pela nova ordem da redefinição do corpo humano, e atrelado às tecnologias médicas. Compreender essas mudanças implica em perceber a representação do corpo na contemporaneidade. Presenciamos a um processo de redescrição dos limites do corpo, muito impulsionado pela tecnologia médica. Não nos restringimos a técnicas de embelezamento, mas a uma indústria que favorece a imagem do corpo como a ordem do dia. Imagens de membros, músculos, tecidos são constantes na mídia e novidades têm aparecido regularmente. Várias possibilidades para os corpos e sujeitos: congelamento de óvulos, transplante de face, próteses que restauram a função do corpo, enfim, a ciência se desenvolvendo para responder alguns questionamentos sócio-históricos colocados pelo tempo que vivemos. O desenvolvimento e o refinamento tecnológico da medicina têm contribuído bastante para o elevado número de cirurgia plástica. Na sociedade contemporânea, o enquadramento nos padrões do culto da beleza tem encorajado a procura da cirurgia como solução rápida de suas insatisfações. “É tempo de corpos jovens, saudáveis”, assim promulga a mídia. A ideologia de um corpo também portador de medidas ideais encontra-se com a tecnologia médica fortalecendo a procura pelas cirurgias plásticas estando subjacente a ideia de que o corpo é maleável de forma infinita. O público feminino e jovem é um dos segmentos que mais procuram o procedimento da cirurgia estética, que passou a não ser mais associada somente à correção de marcas do envelhecimento ou deformações inatas. Há uma busca da adequação aos padrões socialmente construídos e potencializados pelos meios de comunicação, estabelecidos pela valorização da estética, onde se tem preterido a própria saúde. A convivência com o corpo fora dos padrões era mais tolerado na antiguidade. Veremos esse aspecto, traduzindo a história do corpo, no entanto, inserimos a constituição do corpo para o ser do sujeito. O corpo é o que possibilita a presença no mundo. Os tempos sociais, afetivo, cultural e psíquico passam pelo suporte do corpo para demarcarem sua existência. Suporte da subjetividade, o corpo é o nosso primeiro universo. É ele que recebe as primeiras impressões do mundo: cheiro, sabores, luz, calor… Muito antes do pensamento, o corpo é sensação. Desde os cuidados necessários para a sobrevivência ao suporte do prazer nas sensações de alivio e de repetição de uma satisfação, o corpo está lá sob vários aspectos. Lá onde o sujeito se personifica nele, lá onde o individuo é contado através dele. No corpo, acompanhamos as origens, raças, valores e classe social, como também as modificações culturais das sociedades. Desde que o homem é homem, e instaurado em uma cultura não podemos falar de corpo fisiológico. Não há como dissociar o corpo da cultura. Louro afirma que não existe corpo que não seja, desde sempre, dito e feito na cultura. O corpo se situa, então, em uma dimensão individual e coletiva, sendo na verdade, o limite das expressões culturais como o lugar onde se inscreve a distinção individual. Em todas as modificações geracionais, o corpo se apresentou como alvo de preocupações. A determinação dos lugares sociais ou da posição de um sujeito em seu grupo é referida a seu corpo. Vestuário, cor da pele, tipo de cabelo, tamanho das mãos e é assim que se tornam ou não marcas de raça, gênero, etnia, classe e nacionalidade. Como resultado provisório das convergências entre técnica e sociedade, sentimentos e objetos, o corpo pertence mais à história do que à natureza. Não existe um corpo impermeável às marcas da cultura.”

  • Na peça infantil “O Patinho Feio” da Cia de Teatro Infocus, atores e atrizes presentes:

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Cézar Cavalcanti: Diretor da Cia e e texto adaptado para a peça.

Gugu Araújo: O pai e dono do circo Danton

Emily Cortês: A mãe adotiva e a porca

Vinícius Coelho: O Patinho Feio

Júnior Bertoli: A raposa esperta

Fernanda: Mãe pata e mãe ganso

 

  • Sala de Cultura Leila Diniz:

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Não deixem de visitar a Sala de Cultura Leila Diniz, um espaço cultural da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro (IOERJ). Ela é uma Sala moderna e prazerosa.  E está aberta ao público diversificado e aos visitantes para as amostras de quadros, músicas, filmes e dança. Aprecia-se as diversas formas de arte em exposições, e pode-se desfrutar também, da beleza dos jardins inspirados no genial paisagista Roberto Burle Marx. A entrada é franca no espaço cultural e no jardim. A Sala está aberta ao público de segunda a sexta-feira de 10h às 17h , na Rua Professor Heitor Carrilho, 81 – Centro – Niterói – RJ.

  • Aguardem o aniversário de 05 anos da Sala de Cultura Leila Diniz (01/07).

 

  • A próxima peça infantil será “A Cigarra e o Formigão e uma grande confusão” no dia 09 de julho.

 

  • Para acessar:

 

  • Acesse o artigo da Psicóloga Helen Reis Mourão (FACIS) de São Paulo, de 14 de outubro de 2015, sobre a análise do conto “O Patinho Feio“: clique aqui
  • Acesse o artigo de Clarissa Dubeux Barros que é Psicóloga – UNICAP e Doutoranda em Psicologia Social – UFPB: Clique aqui
  • Veja o filme da Disney (O Patinho Feio): clique aqui
  • Veja o filme “O Patinho Feio”em português: Clique aqui
  • Saiba mais sobre o  escritor, poeta e contador de estórias infantis Hans C. Andersen: Clique aqui

Créditos:

Texto para o Blog: Cláudio Barbosa

Fotos e imagens: Cláudio Barbosa

Entrevistas: Cláudio Barbosa

 

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