Revista Eletrönica Null / EMagazine Null

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Livro de Mauro Ventura retrata a tragédia circense em Niterói na década de 60.

  • Mauro Ventura em entrevista para (R.E-Fatos) no dia 15 de março de 2012, na Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências (AGLAC), conta a respeito do maior lançamento que fez na vida: O Gran Circus Norte Americano – O Espetáculo Mais Triste da Terra. O livro lançado em 2011 tem tido grande repercussão nacional e está com previsão de lançamento em feira literária internacional (Bogotá – Colômbia).

Imagem: Cláudio Barbosa.

Com a intenção de prestar uma homenagem as vítimas do maior desastre circense ocorrido em Niterói, Mauro Ventura em pequenas observações e curiosidades pelos escritos do Profeta Gentileza, iniciou um trabalho de pesquisa jornalística para resgatar o histórico da tragédia que abalou o cenário cultural da Cidade Sorrido na década de 60 pelo incêndio do Circo Gran Circo Norte-Americano.

 

Mauro Ventura nasceu no Rio de Janeiro, 21 de abril de 1973, é um ator brasileiro. Membro fundador da Companhia Prática de Teatro e do Núcleo de Investigação Cênica, produtor e diretor, junto a Michel Bercovitch e Flávio Pardal, do Atelier do Ator. Estudante de Filosofia, e é aluno do filósofo Olavo de Carvalho. É repórter especial do Segundo Caderno de O Globo e assina a coluna Dois Cafés e a Conta, na Revista O Globo. Em 2008, recebeu o prêmio “Esso” e o prêmio “Embratel” pela reportagem “Tribunal do tráfico”.

 

Na Academia Gonçalense de Artes e Ciências (AGLAC), Mauro Ventura falou do lançamento do livro que tem como cenário importante Niterói dos anos 60. No dia 17 de dezembro de 1961 ocorreu a maior tragédia em Niterói, que mobilizou toda a comunidade médica e trouxe o primeiro ministro João Goulart ao município. A tragédia mobilizou o país e maiores vítimas do desastre foram as famílias prejudicadas sem o apoio do governo. Nessa ocasião surgem personagens que deram vida e prosseguiram com a história. Um deles é o cirurgião plástico “Ivo Pitanguy” que erradicou a cirurgia plástica no Brasil. E outro, foi o “Profeta Gentileza” que com seus escritos de paz mundial, levou a mensagem para muitos que precisavam do consolo por perdas irreparáveis.

  • (R.E-Fatos): Como surgiu a ideia de fazer esse tema para o livro?
  • Mauro: Surgiu a partir de duas figuras muito importantes que foi o “Profeta Gentileza” e o cirurgião plático “Ivo Pitanguy”. O Profeta Gentileza, porque eu via as inscrições que ele fez nas pilastras do Caju, e ficava me perguntando quem era aquela figura. E achava que ele tinha perdido a família em um incêndio em Niterói. Depois descobri que era uma lenda, mas eu não tinha ideia. E o Pitanguy porque eu tinha lido que ele disse que essa tragédia gerou imensas vítimas. E que esse acontecimento tinha sido o mais marcante na vida dele. Aí, juntei essas coisas, e depois descobri que faz 3 anos que a tragédia ia completar 50 anos. Mas, ninguém havia escrito nada sobre o tema. Isso me inquietou, porque era uma coisa muito impactante para a época. Mas na verdade, não havia nada escrito sobre o tema. Eu também quis homenagem as vítimas. Quis mostrar o trabalho dos heróis anônimos, em uma onda de solidariedade que o país nunca havia visto. Também mostrar um pouco a tragédia para que não se repita mais. Mostrar o que aconteceu de errado para que não volte a acontecer.
  • (R.E-Fatos): Você comentou um pouco sobre a tragédia. O que mais te chocou nisso?
  • Mauro: Muitas coisas. Uma delas foi o fato de ninguém ter sido indenizado. Outra coisa foi a tristeza do principal hospital da cidade estar fechado na hora em que a população mais precisava. Outra coisa foi o fato das condições do circo: Não tinha saída de emergência, não havia segurança, não tinha extintor de incêndio e a lona era altamente inflamável. Como é que se deixou um circo desses em funcionamento?. Mas nada é tão tristes como as próprias histórias das vítimas que perderam o que havia de mais precioso: a vida.
  • (R.E-Fatos): Como tem sido a repercussão do lançamento do livro?
  • Mauro: Olha, tem sido muito bem procurado, não só por pessoas que viveram a tragédia e que tem retornado dizendo que eu fui muito fiel ao que elas contaram. E se foi assim mesmo, parabenizaram-me por eu ter reconstituído essa estória. E também outras pessoas que não tiveram nada a ver com a estória, falando da importância de um país sem memória como o nosso, de minimamente contar que esse episódio não caiu no esquecimento.
  •  Unitevê: E como jornalista, qual é a sua visão para o livro?
  • Mauro: O livro tem um estilo chamado de jornalismo literário que é a mesma coisa de romance não-ficção. É você pegar um fato, uma estória real, e dá um tratamento de romance. Não que você vai inventar nada, não. Você está usando um recurso de romance que é quase você entrando na cabeça dos personagens. É até uma narrativa mais literária. O livro é muito isso, filia-se a esse jornalismo literário.
  • (R.E-Fatos): Teve algum momento que você como pessoa ou como jornalista viu que o tema seria ruim ou negativo para ser abordado?
  • Mauro: Quando eu comecei a pesquisar, foi difícil conseguir personagens porque as pessoas resistiam muito. Perguntavam: Por que você vai falar de um tema assim? Por que você não fala que Niterói é quarta cidade em qualidade de vida do país, a “Cidade Sorriso”. Por que você vai falar da tragédia, lembrar a tragédia? E ao longo da pesquisa, eu ficava me perguntando: Será que isso vai interessar a alguém? É muito trágico?. Será que as pessoas vão falar?. Ou será melhor deixar como está?. Mas resolvi continuar. Felizmente, vi que era melhor abordar esse tema.
  • (R.E-Fatos): Você divulgou em Ipanema, agora em Niterói na (AGLAC). Quais locais de divulgação. Você poderia citar alguns?
  • Mauro: Eu já lancei em Niterói, em São Paulo e vou lançar em Belo horizonte. Fui convidado para a feira Internacional de Bogotá, na Colômbia, porque o Brasil é o país homenageado. E aí, vou estar na delegação. Vou também estar na feira literária de Ribeirão Preto em São Paulo.Fui convidado também para feira literária da Universidade Federal Fluminense (UFF). Enfim, temos já alguns convites.
  • (R.E-Fatos): O livro possui um cunho jornalístico, literário que você já comentou. É também informativo?
  • Mauro: São três coisas que se misturam: Se é jornalístico tem que ser informativo, essas duas coisas são indiscutíveis. E tem esse tom literário sim. Mas não é uma descrição. Seria muito crua e sem adjetivo, não. Tem uma grande preocupação com o estilo, uma preocupação literária. A ação literária é muito grande. E os cuidados que tive, deu o tratamento literário.
  • (R.E-Fatos): E como foi a produção e as pessoas que produziram o livro?
  • Mauro: Na pesquisa eu contei com a ajuda da pesquisadora que me auxiliou atrás de personagens, dando as entrevistas. Durante um tempo ela me ajudou. Que é uma jornalista chamada Mariana Müller que participou comigo desse processo de pesquisa. E a escrita eu fiz sozinho. A edição foi feita pela Companhia de Letras, uma excepcional editora, que tem como chefe Márcia Garcia, que leu o livro, fez várias observações e ficou comigo durante todo esse processo. E Luis Carlos dono da Companhia que me deu sugestões maravilhosas.
  • (R.E-Fatos): E o que você espera do leitor, e o que eu o leitor pode esperar do livro?
  • Mauro: É pretensioso querer esperar grande coisa, mas a minha ideia era essa: Que as pessoas conhecessem a estória. O que apresento é uma estória dramática e a maioria das pessoas não a conhece. Acima de tudo, gostaria que se emocionassem e pensem como é que pôde acontecer isso em Niterói, no Brasil. E como é que as pessoas passaram por isso. E sempre reverenciar esses heróis anônimos que foram solidários: Os escoteiros, os médicos de Niterói-  uma turma maravilhosa que fez todo o trabalho de graça por mais de um ano e lutaram por mais de um ano pela causa das vítimas, ações das famílias, enfim. Não só que isso se passe, pois se passou um tempo imenso dessa estória, que é muito trágica. Mas que ao tempo, tem lances de heroísmo, de superação e de solidariedade.

 

  • (R.E-Fatos): Mauro, poderia ressaltar um pouco a respeito de alguns personagens, como o Profeta Gentileza, Dequinha que foi um personagem que trouxe muita coisa negativa, e idealizador da queimada do circo. E tem o cirurgião Ivo Pitanguy. Fale-nos um pouco deles.
  • Mauro: O Profeta Gentileza é mais um símbolo da tragédia. Ele era um pequeno empresário de transporte de cargas. E na hora que aconteceu o incêndio, ele tem uma revelação divina. E se torna profeta. Há pessoas que dizem que ele sofria de surto psicótico. E há pessoas que dizem que foi uma revolução divina. Então larga tudo e vai cuidar dos parentes das vítimas. Ele não perdeu nenhum familiar, nenhum parente inocente. Mas ele realmente larga tudo para consolar. Depois de ficarem quatro anos no circo, ele sai em peregrinação num terreno que era o circo, até se estabelecer no Rio. “Pitanguy” participou do atendimento às vítimas. Teve uma participação fundamental, mas, os médicos de Niterói merecem toda glória. Niterói possui um grupo espetacular de médicos. E todos foram de Niterói. Foi justamente incansável, admirável, e merecem todas as homenagens. Então, realmente esse grupo de médicos de Niterói foi fundamental. Claro que Pitanguy teve prestígio porque participou muito, no entanto, os méritos devem ser divididos com os médicos de Niterói. E por fim, o “Dequinha” foi considerado o maior genocida da história do país. Havia pessoas que o consideravam um bode expiatório. Ou seja, uma pessoa que foi usada pelas autoridades para tirar as responsabilidades das próprias autoridades governamentais do dono do circo, que na verdade não era um norte-americano, era um europeu de família Iugoslava. E as responsabilidades do que houve no circo. Dequinha era uma pessoa que apresentava problemas mentais, então foi considerada a pessoa ideal. Ele tinha manias de confessar crimes não cometidos. Com isso, poderia assumir as responsabilidades do que ocorreu no lugar do governo. Dequinha era uma figura que até hoje paira uma suspeita sobre ele.

 

  • (R.E-Fatos): Você tem alguma expectativa em voltar a ter circo em Niterói?
  • Mauro: Niterói ficou 14 anos sem circo. E só voltou ater circo um bom tempo depois. Na época, a questão do circo era muito forte porque era uma grande atração para a garotada. Eu acho que o circo não vai ter mais aquela popularidade que tinha antigamente. Hoje em dia,há outras coisas como o vídeo-game, shopping, sport e computador  que distraem a criançada. O circo era “A grande atração infantil”. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Os tempos são outros. Claro que fica na memória das pessoas. Mas após 14 anos depois, não tem haver com o circo de Niterói, da tragédia que aconteceu com o Gran Circo Norte-Americano.
  • (R.E-Fatos): Considerações finais.
  • Mauro: Uma coisa a dizer é que morreram 500 pessoas. Outra coisa é dar gosto estatístico de 500 que estavam ali. Dona Lenir que perdeu o filho, Dona Zezé, etc. Tentar conhecer um pouco mais da estória, tentar prestar homenagens a estas pessoas que estavam se divertindo em um circo e traziam as crianças, mas que de repente, foram tragadas pelo fogo. Foi uma situação horripilante que pode se imaginar. E pouca mobilização  fei feita pelo país. Essas pessoas não tiveram nada em troca. E não se toca no assunto e sobre os voluntários, os médicos, que poderiam ser comentados: “Olha que pessoal legal que está ajudando. Porém, nada foi feito.”.
  • Entrevista: Cláudio Barbosa.
  • Texto: Cláudio Barbosa.
  • Fotos: Cláudio Barbosa

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Publicado em 27 de julho de 2012 por em América Latina, Cultura.

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