Revista Eletrönica Null / EMagazine Null

A Revista com a escrita certa do Brasil e do Mundo para bons leitores brasileiros e estrangeiros. / Die Zeitschrift schriftlich mit einigen von Brasilien und der ganzen Welt für gute Leser Brasilianer und Ausländer.

Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolve a primeira vacina para esquistossomose aprovada em Testes Clínicos Fase 1.

 

A vacina desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), acaba de ser aprovada em testes clínicos de Fase 1. Demonstra ser segura e capaz de induzir imunidade à uma doença que afeta 200 milhões de pessoas no mundo. É baseada no antígeno Sm14, e é considerada a primeira vacina para helmintos desenvolvida no pais, o que coloca o Brasil como um dos países  em destaque de pesquisa científica em vacinas no mundo. O projeto teve início em 1975 com a descoberta da molécula Sm 14 em fase experimental. E seguiu com a criação do Laboratório de Esquitossomose Experimental da (FIOCRUZ). A pesquisa tem apoio de pesquisadores do Ludwig Institute for Cancer Research (LICR); Instituto de Física da Universidade de São Carlos (USP); e (LEE, Fiocruz, projeto FINEP). Além de parceiros no Brasil e colaboradores e consultores internacionais. A pesquisa foi anunciada hoje (12/06) às 10h n a(Fiocruz – auditório do Pavilhão Arthur Neiva).

 

 

O Brasil está no topo dos centros de pesquisas em doenças e vacinas. A Fiocruz anunciou às 10h no auditório do Pavilhão Arthur Neiva uma divulgação científica que coloca o país nas bases mundiais de pesquisa científicas do país: Uma vacina brasileira para esquistossomose, aprovada em testes clínicos Fase 1. A divulgação é inédita, pois é a primeira vacina desenvolvida na Fiocruz com bases de pesquisas no Brasil. A coordenação de cientistas líderes foram: Miriam Tendler (coordenadora) – Instituto Oswaldo Cruz (IOC / Fiocruz), chefe do LEE durante todo o desenvolvimento do Sm 14; Dr Andrew Simpson – Ludwig Institute for Cancer Reseach (LICR); Richard Garratt –Instituto de Física da universidade de São Carlos (USP) e Celso Romero Ramos (LEE, Fiocruz, projeto FINEP); Equipe do Instituto Oswaldo Cruz – Equipe do Laboratório de Esquistossomose Experimental (LEE) da (Fiocruz); Parceiros no Brasil como GESTEC, IPEC, Universidade Federal de Santa Catarina; Colaboradores e consultores internacionais  (Robert Bergquist – Coordenador do programa para desenvolvimento de vacina contra a Esquistossomose, da Organização Mundial da Saúde) entre outros; Além da Vacina Veterinária contra Fasciolose de  Carlos Henrique e toda equipe técnica do departamento de Biológicos da Ourofino Agronegócios, colaboração CPPAR( Centro de Testes Animais, ourofno Ltda). Estiveram presentes no auditório do Pavilhão Arthur Neiva para a divulgação da pesquisa, Paulo Gadelha – Presidente da Fiocruz; Carlos Henrique Henrique – Superintendência de Biológicos Ourofino; Miriam Tendler – Pesquisadora da IOC; e a Diretora da (Fiocruz), Tânia Araújo-Jorge.

 

 

Paulo Gadelha, presidente da (Fiocruz), ressalta a importância que o instituto ganha com essa pesquisa e o prestígio que o país tem com a inovação na pesquisa 100% nacional: “Essa pesquisa é um enfrentamento de um dos problemas globais que tem crescimento e índices relevantes de pessoas atingidas pela Esquistossomose. Outra questão é que está sendo feito um processo 100% nacional, ou seja, é a primeira vacina desenvolvida no país. Nossa expectativa é que daqui a três anos tenhamos a vacina disponível após os testes clínicos necessários. Por nossa capacidade, estamos apresentando um produto inédito para a saúde humana. Marca o estágio de maturidade do país. O que temos é o resultado também da capacidade de gestão da (Fiocruz).”

 

 

Tania Araújo-Jorge (Diretora) é pesquisadora do IOC desde 1983, durante todo o desenvolvimento do Sm14, frisa a importância da pesquisa feita no país e a  responsabilidade conduzida pelo (IOC). ”Esse projeto é fruto desta gestão. É preciso um grau de compromisso. Este é um grau de determinação que temos contra a luta de doenças majoritariamente da pobreza, de modo que temos enfrentado doenças como a Esquistossomose, e com uso de estratégias. Nada melhor do que compartilhar a alegria da Fase 1 desse sucesso, pois estamos falando de doenças que infecta muitas pessoas no mundo. Por isso, quero nos parabenizar. E percebemos que a ciência é sem fronteiras, e a todos que dela participam”

 

 

A empresa Ourofino Agronegócios foi a primeira parceria público-privada estabelecida pela (Fiocruz) com o apoio de agências de financiamento, como a FINEP e a Faperj. Carlos Henrique Henrique, da Superintendência de Biológicos Ourofino afirma que a intenção é colocar o produto no mercado, e comenta sobre a dedicação a pesquisa. “Eu gostaria de parabenizar a equipe pelos 12 anos de parceria. Nós vamos viabilizar o projeto para que chegue até o fim. E a nossa intenção é colocar o projeto no mercado. E parabenizo a todos e a pesquisadora Miriam Tendler, porque todo o projeto foi desenvolvido no Brasil, e é 99%  feito por dedicação.”

 

 

A Pesquisadora e infectologista Miriam Tendler diz que o principal da pesquisa é a segurança na aplicação e a importância da pesquisa para uma doença que afeta milhares de pessoas no mundo, principalmente nas camadas da pobreza. “A pesquisa vai seguir até o final das Fases com foco na segurança. Faremos testes para eficácias e só usaremos em longa escala quando tivermos segurança. O teste Fase 1 tem que ser feito no país de origem. A doença Esquistossomose é a segunda do mundo, e considerada doença de países pobres. O maior impacto é a magnitude que compromete a capacidade do trabalho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata a doença existente, mas não aplica nenhuma cura. Então esse conjunto de mazelas que afetam a saúde foi o que nos estimulou a fazer pesquisas para essa vacina.”

 

 

A infectologista Miriam Tendler ressalta que houve dificuldade para a pesquisa, mas não houve inquietação durante esse tempo. Tânia explica também sobre as Fases da pesquisa realizada e as funções básicas da vacina. “No Brasil não conseguimos sintetizar a molécula, por isso tivemos a parceria internacional. Não havia cultura de pesquisa no país, o que não acontece a atualmente, pois todo país possui biotecnologia. O primeiro teste, Fase 1, foi feito no Brasil. O teste clínico foi feito na Fiocruz em vinte voluntários saudáveis. Não houve nenhum efeito colateral. Já na Fase 2 priorizaremos a segurança, e depois a área endêmica, faremos na Suíça em duas pessoas que apresentam os requisitos básicos para receber o teste. A Fase 3 e a 4 vão ser amplas, inclui a fase de mercado. A vacina desenvolvida é uma molécula isolada, retirada do parasita que induz os anticorpos. Os anticorpos neutralizam as moléculas. E essa molécula é a vacina. Sabemos que a doença está na natureza. E a missão da vacina é prevenir. A Fase 2 será iniciada em 2013. O valor total da pesquisa tem girado em torno de R$ 22 a 23 milhões.”

 

Caramujos da espécie Biomphalaria glabrata albina.
Foto: Gutemberg Brito / IOC

 

Caramujos da espécie Biomphalaria glabrata albina.
Foto: Gutemberg Brito / IOC

 

Segundo os dados cronológicos da pesquisa fornecidos pela Fiocruz, o projeto teve início em 1975 com a descoberta da molécula Sm14 e fase Experimental no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).  E a partir daí, começou o “Estudo de Antígenos Protetores do Schistosoma mansoni” e a descoberta de componentes derivados de vermes vivos. Até o final de 1980 a criação do laboratório de Esquistossomose Experimental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz); Em 1980, surgiram evidências experimentais de antígenos protetores contra a infecção pelo Schistosoma mansoni – definição do Extrato Salino (SE); No ano1990, houve a Fase Experimental Molecular, seguido pela Clonagem da proteína SM 14 da família das FABPs, que ligam lipídeos e o desenvolvimento do modelo tridimensional da proteína, considerado o marco do início da colaboração com Drs Andrew Simpson e Richard Garratt.; 1995, acontece a caracterização da proteção com Sm 14 contra infecção por Schistosoma e Fasciolaem animais de laboratório – Depósito da primeira patente (dezembro de 1993); 2000, ocorre a demonstração da proteína por Sm 14, no gado Bovino (Prova de Conceito), com isso,  o depósito de nova família de patentes para formas mutantes mais estáveis. E no mesmo ano o escalonamento da molécula em parceira com o Instituto Butantan; Já no ano de 2005 surge  as parceiras, licenciamento do Sm 14 (patentes para as vacinas de uso Humano e Veterinário); Em 2010, uma reunião na Organização Mundial da Saúde, em Genebra – “The Sm 14 schistosomiasis vaccine candidate: status and plans for clinical trials”. Junto a isso, o desenvolvimento industrial da vacina veterinária para fasciolose. Desta forma, ocorreu uma nova patente e a compra da Alvos pela OuroFino Saúde Anima; No ano de 2011, importação dos lotes Sm 14 e GLA / GMP dos Estados Unidos (LIC / Flórida Biologics e IDRI). Neste mesmo ano se inicia o Teste Clínico Humano Fase 1 – com a colaboração científica do IPEC/ Fiocruz. E prosseguiu com testes de segurança em gado Bovino – Ourofino (SP), elaboração de banco de dados, relatório específicos e documentos regulatórios, acordo com o Infectious Disease Research Institute (EUA) para formulação e fornecimento do adjuvante do grupo GLA para vacinas humanas e veterinárias; Por fim em 2012, finalização do teste Clínico Humano Fase 1 e formulação da vacina veterinária e registro de Piloto no MAPA.

 

Lote da Sm14 usado nos testes clínicos.
Foto:Gutemberg Brito

 

Parte da equipe do Laboratório de Esquistossomose.
Foto: Gutemberg Brito/ IOC.

 

esquistossomose, geralmente conhecida como barriga-d’água, é a segunda doença mais devastadora socioeconomicamente, atrás apenas da malária, e infecta mais de 200 milhões de pessoas no mundo. Pode evoluir como doença pouco sintomática numa fase inicial, podendo evoluir para formas clínicas mais graves e óbito. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 800 milhões de pessoas viviam em áreas endêmicas, em mais de 70 países. Está presente em 18 estados brasileiros, com maior incidênicia na região Nordeste e no estado de Minas Gerais. A doença é crônica causada por parasitos do gênero Schistosoma, a esquistomosse com maior prevalência em locais de baixa infra-estrutura sanitária. Caramujos do gênero Biomphalaria atuam como hospedeiros intermediários, enquanto o homem é seu hospedeiro definitivo.
A transmissão é feita por locais de água doce com pouca correnteza ou água parada e presença de caramujos infectados. O contágio é feito quando a larva penetra na pele do indivíduo que, após infectado, libera ovos do parasita em suas fezes – que podem ser depositados em ambientes de água doce. Em contato com a água, os ovos eclodem dando origem a novas larvas que se alojam em caramujos, desenvolvem-se em cercarias e são liberadas na água, voltando ao ciclo, podendo infectar outro hospedeiro definitivo.
Os sintomas da doença pode se manifestar em duas fases: aguda e crônica. Na aguda, a mais comum, o indivíduo pode apresentar manifestações clínicas como coceiras e dermatites, fraqueza, febre, dor de cabeça, diarréia, enjôos e vômitos. Na crônica, geralmente assintomática, o agravo pode evoluir para um quadro mais grave com aumento por fibrose do fígado, aumento do baço, podendo, também, causar hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago e barriga d’água (dilatação do abdômen).
De acordo com a nova reavaliação e classificação das doenças pela (OMS), com base no impacto das doenças, seus sintomas, duração e sequelas, na qualidade de vida das pessoas, a esquistomosse passou para o topo do ranking de importância e impacto das doenças, por conta da espoliação crônica que acarreta, com anemia e comprometimento da capacidade cognitiva das crianças, com efeito direto na capacidade de aprendizado escolar e força de trabalho dos adultos jovens, das populações mais afetadas, que vivem nas áreas endêmicas dos países que dependem da saúde e bem estar destas populações para atingir seu pleno desenvolvimento.
No caso de tratamento, controle e prevenção, a doença vem sendo tratada com medicamentos antiparasitários. A prevenção, até o momento, não é alcançadas mesmo com algumas prevenções – evitar a proliferação de caramujos, melhorar o saneamento  básico e educação em saúde são ações complementares das tentativas de controle.
A proteínas (Sm 14) foi construída como proteína recombinante e escalona (teve sua capacidade de produção em volume industrial comprovada), chegando-se à produção do chamado lote semente da vacina para testes clínicos, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

 

Procedimento de ELISA (Enzyme-linked immuno sorbent assay), teste imunoenzimático que permite quantificar a concentração de antígenos e anticorpos. . Foto: Gutemberg Brito/ IOC.

 

Experimento de imunogenicidade inserido na grade de experimentos do controle de qualidade dos lotes de Sm14 produzidos.
Fotos: Gutemberg Brito/ IOC.

 

Experimento de imunogenicidade inserido na grade de experimentos do controle de qualidade dos lotes de Sm14 produzidos.
Foto: Gutemberg Brito/ IOC.

 

Procedimento de triagem de caramujos Biomphalaria glabrata adultos. glabrata infectados por Schistosoma mansoni.
Foto: Gutemberg Brito/ IOC.

 

Placa de vidro contendo cercárias, coradas com lugol, para contagem e posterior realização do procedimento Biomphalaria glabrata, contendo placas ovígeras de infecção de camundongos.
Foto: Gutemberg Brito/ IOC.

 

Foto ampliada dos vermes adultos em cópula
Foto Ampliadas: Clélia C. Mello Silva e Ronaldo Augusto/ IOC.

 

Foto :Vermes adultos em cópula (fêmea no interior do canal ginecóforo do macho)
Foto Ampliadas: Clélia C. Mello Silva e Ronaldo Augusto/ IOC.

 

  • Famílias de patentes da molécula Sm 14

 

A molécula Sm 14 está protegida pelas famílias de patentes BRPI 110551-3, BRPI0308978-9, BRPI0303266-3, BRPI0900896-9, BRPI005855-9 e correspondente na Europa, Estados Unidos, Austrália, Japão, Nova Zelândia, África do Sul, Canadá, Cuba, Egito, Índia, ARIPO, OAPI.

 

Artigo publicado no dia 13/06/12 com fotos em alta resolução.

 

 

Entrevista: Cláudio Barbosa
Texto: Cláudio Barbosa
Fotos: Cláudio Barbosa
Imagens: Fiocruz
Fonte: Fiocruz

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 27 de julho de 2012 por em América Latina, Ciência, Saúde.

Principais acessados

  • Nenhum

Revista Eletrönica Null

Revista Eletrönica Null

Digite seu e-mail para receber notificações em seu correio eletrônico.

Junte-se a 126 outros seguidores

Sally's Serenity Spot

My Spiritual Journey

The WordPress.com Blog

The latest news on WordPress.com and the WordPress community.

%d blogueiros gostam disto: