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Entrevista do jornalista, poeta e haicaista Luis Antônio Pimentel na 3ª Edição do Giro Cultural.

Luis Antônio Pimentel em 1938, no Monte Fugi no Japão com amigos e vizinhas.

Luis Antônio Pimentel em 1938, no Monte Fugi no Japão com amigos e vizinhas.
Imagem: Cláudio Barbosa, da Biografia de Alaôr.

No dia (14/01/2012), sucedeu a 2ª Edição do Giro Cultural em Niterói, idealizado pela Imprensa Oficial. Na ocasião de abertura dos festivos em homenagem aos 100 anos de Luís Antônio Pimentel, estiveram presentes muitos amigos e convidados do poeta-jornalista e de Carlos Mônaco, Intelectual e filho do fundador da Livraria Ideal (Ponto de encontros dos intelectuais de Niterói) Silvestre Mônaco. Foi entregue a Luis Antônio Pimentel às 11h o certificado de cidadania por Carlos Mônaco do Grupo Mônaco de Cultura. O evento foi marcante para a história de Niterói e para os amados convidados que prestigiaram o tão esperado momento. A homenagem ao Cidadão de Niterói foi anunciada no programa ao vivo do Grupo Mônaco Cultura & Saúde da Unitevê, Canal 17 Niterói / São Gonçalo no dia (10/01/2012), apresentado por Carlos Mônaco no Bloco de Cultura.
O “Giro Cultural” ocorreu com a Segunda Edição de eventos na Livraria Ideal.  Este é um dos inícios das festas dos 100 anos de Luis Antônio Pimentel. A Homenagem seguiu com a entrega às 11h do certificado de cidadania ao Intelectual, escritor, jornalista e poeta. Luis Antônio Pimentel concedeu autógrafos, entrevistas e recebeu o apoio, felicitações e os parabéns de amigos fiéis, que tem acompanhado a carreira  do Homenageado, e que tem sido considerado pela população da cidade um dos jornalistas mais íntegros. O Giro é uma série de eventos que foi idealizado pela Imprensa Oficial, do presidente Haroldo Zager, e que ocorrerá todos os segundos sábados de cada mês. Conta também com a participação do terminal Rodoviário Roberto Silveira, às 11h com eventos, e por último, na Sala de Cultura Leila Diniz ao 12h, com exposições de artistas, apresentações de músicas e atrações.
Luis Antônio Pimentel nasceu em Miracema, no Rio de Janeiro em (29/03/1912). A família se mudou de Miracema para Niterói. O pai (Alarico Figueiredo Pimentel) era funcionário público (Mesa de Rendas do Estado da Secretaria de Finanças) e a mãe (Adalgisa Sant’ana Pimentel) era doméstica. Pimentel foi alfabetizado no Grupo Escolar do governo que funcionava na Rua Mendes de Sá, no sobrado, onde fica a atual companhia telefônica de Niterói. Depois, foi para o Colégio Salesiano, em Santa Rosa.  E seguiu para a escola de Aplicação Rui Barbosa em frente ao Palácio do Ingá, onde terminou o Ginásio. No período se extinguiu a 6ª série. E de lá Luis Antônio Pimentel saiu para a Escola Profissional Washington Luis – Antigo Ginasial, do então presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. E assim estudou até o final da revolução de 1930. Após a Revolução, as Escolas profissionais passaram a ser chamadas de Escola do Trabalho. Ao ter concluído os quatros anos do curso profissional da Escola do Trabalho, Luis Antonio Pimentel estudou na Escola Técnica Fluminense, que na época era considerada a Escola Prática de Engenharia (Curso Superior), dirigida pelo professor francês Antônio Eugênio Lattigé. O curso durava três anos, porém Pimentel cursou apenas dois anos de Engenharia Química Industrial, e abandonou a Escola de Engenharia para estudar na Escola de Belas Artes que fica na Avenida Rio Branco, através de uma prova feita.  Em dois anos de curso feito, abandonou, e iniciou as atividades como jornalista (Repórter), em vários jornais no ano de 1935, que segundo o jornalista foi o período de abertura de muitos jornais. De acordo com o Pimentel, para se tornar jornalista era necessário aprender na prática, com trabalhos realizados. Os jornais mais populares abertos durante a época foram: O Dia, A Esquerda, O Globo, Gazeta de Notícias, Vanguarda, o País e outros em que o jornalista trabalhou. Como Cronista, em plantão de carnaval, viu uma notícia no próprio jornal em que trabalhava (O Gazeta de Notícias do Estado o Rio de Janeiro), na Rua do Ouvidor: Japão oferece bolsa de estudos para qualquer curso universitário. Ao vir essa notícia, Pimentel se inscreveu na Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ). Por ser jornalista, foi muito bem acolhido pela instituição superior. Os custos da embarcação para a viagem ao Japão foram todos subsidiados pelo governo do Japonês, o que hoje é considerado um Intercâmbio Estudantil. E em 23 de Março de 1937, Pimentel embarcou no Navio japonês (Tatsuta-Marun), que era da companhia japonesa Osaka Shosen Kaisha, de pequena tonelagem. O Navio passou por Recife, Canal do Panamá, São Pedro em Los Angeles (E.U.A), Califórnia (E.U.A), que segundo o jornalista pegaram uma grande tempestade em São Pedro até chegar ao  Porto de Yokohama, ponto de entrada no Japão. Quando chegou em 02 de Maio de 1937, a partir deste momento, a Europa se rompeu em guerra com os Nazistas, em que Hittler ocupou o território da Tchecolosváquia (atual Republica Tscheca e Eslováquia). Desta forma, foi declarada guerra contra aos aliados.  Os E.U.A declararam guerra aos aliados do Nazismo, que incluía o Japão. Pimentel foi obrigado a retornar ao Brasil devido a evacuação feita pelo governo Japonês, que declarou guerra aos americanos. E a partir deste retorno, começou as atividades do poeta  na criação da poesia em Haicai, e  que futuramente foi editado no Japão.
Segundo Dalma Nascimento – Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada. Aposentada da UFRJ, que publicou um artigo sobre o aposentado, na época em que era editora do “O Correio”, jornal cultural de Niterói no dia 15 de setembro de 2002. “O Pimentel é um “arconte” da memória fluminense. Preservador, intérprete dos documentos e das leis “polis”, que quer dizer cidade. Luis A. Pimentel é o “Arconte da Cidade”. Arkhé é o fundamento. Pimentel é a memória de aliança do passado cultural às gerações futuras. Esta homenagem ao jornalista-escritor é fabulosa. Eu não poderia deixar de vir aqui para prestar essa homenagem a Luis Antônio Pimentel.”, exaltou a Doutora, Dalma do Nascimento.
Em reportagem feita pela aposentada da UFRJ, Dalma do Nascimento, o Jornalista foi homenageado em muito estilo: Jornalista, membro do Instituto Histórico e de várias Academias de Letras, estudioso de provérbios populares e dos topônimos tupis, biógrafo de pessoas e lugares e membro do Calçadão da Cultura do Grupo Mônaco. Além de possuir a carteira nº 01 da Sociedade Fluminense de Fotografia. Tendo vivido no Japão, trabalhou na Rádio de Tóquio e publicou em 1940, o primeiro livro de um poeta brasileiro no idioma nipônico. Pelo exercício de saberes tão múltiplos, é verbete da Enciclopédia Delta –Larousse. Colecionador de lembranças, revela em livros, artigos, fotos e entrevistas, a memória nacional e a do Estado do Rio.
Maria de Lourdes Barbosa, Professora, 66 anos. Leciona faz 22 anos. Fundou uma Academia de Letras com o patrono (Carlos Mônaco). “Luis Antônio Pimentel é a pessoa mais importante de Niterói. Não só pela cultura, não só pelo trabalho como jornalista, mas pela integridade moral, pelo o que tem feito de bom por Niterói. Pimentel é orgulho da nossa cidade. Pimentel já fez uma palestra na Escola em que trabalhei, e os alunos adoraram. Eu nunca ouvi ninguém falar mal de Pimentel, e nunca ouvi Pimentel falar mal de alguém. Eu sempre o vejo alegre. Pimentel é bom em tudo: Nos sonetos, no jornalismo, na poesia, etc. No mesmo patamar está o Mônaco, que tem seguido a carreira do pai (Silvestre Mônaco), que foi livreiro. Se eu estudei, foi porque o Mônaco conseguiu livros. Eu não tinha condições de comprá-los. São pessoas que nós temos que nos orgulhar. O que fizerem por Pimentel e Mônaco é pouco, pois merecem muito mais. Estou ansiosa para a festa de 100 anos de Luis A. Pimentel.”, disse Maria de Lourdes.
Aníbal Bragança, professor do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (IACS-UFF), contou que Luis Antônio Pimentel tem sido uma das próprias referências de vida. “Pimentel é um grande cidadão. É um homem íntegro, um homem de princípios inabaláveis, que atravessou guerras, golpes de estado, atravessou muitas fases, muitos governos e se manteve um cidadão exemplar. Além disso, Pimentel é um excelente poeta, um grande divulgador e principal divulgador da poesia nipônica no Brasil. Principalmente porque viveu lá durante cinco anos. Eu tive o prazer de organizar as obras reunidas de Luís Antônio Pimentel que foram publicadas pela editora Niterói Livros, em 2004. Essas obras que estão em três volumes, eu consegui reunir uma parte muito significativa do Pimentel. Inclusive descobri através de pesquisas de jornais, pesquisas de arquivos particulares, uma quantidade de textos, uma grande produção que era completamente desconhecida. Já tinha sido esquecida, e eu pude reunir isso especialmente em um livro “Crônicas do Rádio”, na época áurea Marroqui Veiga. É uma contribuição muito importante para a história do Rádio no Brasil. Luis Antônio Pimentel, antes de ir para o Japão era cronista do “Gazeta de Notícias”. Nas crônicas de Pimentel, percebe-se o surgimento do Rádio no Brasil.”, contou Aníbal, em entrevista na Livraria Ideal.
Luís Antônio Pimentel foi aluno bolsista em intercâmbio no Japão. Residiu entres os anos de 1937 a 1942 no Japão. Neste período, familiarizou-se com o Hacai, ao conhecer autoridades do Japão como Hagiwara Sakutarô e Takamura Kôtarô. Pimentel tem poesias traduzidas para o inglês, o alemão, o francês, o espanhol e o sueco. Pimentel foi um dos percursores do Haicai no Brasil. E tem sido responsável pela divulgação deste estilo de poesia ao lado de Olga Savary e Helena Kolody. Com o livro Namida no Kito, obra escrita em português no Japão e traduzida para o japonês no ano de 1940. Pimentel se tornou o primeiro autor brasileiro traduzido para o japonês. A vasta obra literária conta com os livros como: Contos do velho Nipon (1940), Tankas e Haicais (1953), Cem Haikais Eróticos e Um Sonho de Amor Nipônico (2004). E se encontra em três volumes publicados pela editora Niterói Livros, coordenada pelo Professor Nelson Eckhardt em 1953, texto integral de Tankas e Haicais. A primeira biografia foi assinada por Alaôr Eduardo Scisínio.
Estiveram presentes Aníbal Bragança, Haroldo Zager, Renata Palmier, Franci Machado Darigo, presidentes das Academias de Letras de Niterói, e Fluminense de Niterói; Presidente da Academia de São Gonçalo, vereadores, amigos e pessoas que acompanharam a carreira do jornalista, poeta e escritor. Além da Imprensa de Niterói, como o jornal O Fluminense, Unitevê, Revista Eletrônica Fatos e outros.

  • A homenagem aos 100 anos de Luis Antônio Pimentel será no dia (29/03/2012) no Campo de São Bento que fica entre as Ruas: Lopes Trovão, Domingues de Sá, Gavião Peixoto e Av. Roberto Silveira.
  • O Roteiro do Giro será:
  • A Livraria Ideal fica na Rua Visconde de Itaboraí, nº 222 Centro de Niterói. Tel: (21) 2620-7361, sobre administração de Carlos Mônaco e o filho (Carlos César) em horário comercial. Blog: https://grupomonacodecultura.wordpress.com/. E-mail: grupomonacodecultura@gmail.com
  • O Terminal Rodoviário Roberto Silveira – Niterói – RJ na Av. Feliciano Sodré, s/nº – Centro – Niterói/RJ – Tel: (21) 2620-8847.
  • A Nova sede da Imprensa Oficial e Sala de Cultura Leila Diniz ficam na Rua Professor Heitor Carrilho, 81, Centro,  Niterói  – RJ Tels: (21) 2717-4141, perto do 12° Batalhão de Polícia Militar, site http://www.imprensaoficial.rj.gov.br/portal/.

Entrevista: Cláudio Barbosa

Texto: Cláudio Barbosa

Foto: Cláudio Barbosa

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Publicado em 27 de julho de 2012 por em América Latina, Cultura.

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